quinta-feira, 1 de maio de 2008

O que Substituiria a Bíblia como um Guia Moral?


Robert G. Ingersoll
Fonte: The Secular Web

Perguntam-me o que “substitui a Bíblia como guia moral”.
Sei que muitas pessoas têm a Bíblia como o único guia moral e acreditam que somente nesse livro se encontra o verdadeiro e perfeito padrão de moralidade.

Existem muitos preceitos bons, muitos provérbios sábios e muitas regras e leis excelentes na Bíblia – mas estão misturados com preceitos péssimos, provérbios tolos, regras absurdas e leis cruéis.

Porém, temos de nos lembrar que a Bíblia é uma coleção de muitos livros escritos durante séculos, e que representa e conta, em parte, o desenvolvimento e a história de um povo. Precisamos nos lembrar também que seus escritores tratam de uma ampla variedade de assuntos. Muitos desses escritores não têm nada a declarar sobre o certo e o errado, sobre o vício e a virtude.

O livro do Gênesis não contém nada sobre moralidade. Não há nele nenhuma linha calculada para iluminar o campo de nossa conduta. Ninguém pode chamar este livro de um guia moral. Ele constitui-se de mitos e milagres, de tradição e lenda.

No livro do Êxodo encontramos uma explicação de como Jeová libertou os judeus da escravidão dos egípcios.

Nós atualmente sabemos que os judeus jamais foram escravizados pelos egípcios, que a história toda é uma ficção. Nós sabemos disso porque não há no hebraico qualquer palavra de origem egípcia, e não foi encontrada na língua egípcia qualquer vocábulo de origem hebraica. Assim sendo, inferimos que os hebreus e os egípcios não poderiam ter convivido durante séculos.

Certamente o livro do Êxodo não foi escrito para ensinar moralidade. Neste livro é impossível encontrar qualquer palavra contra a escravidão humana. De fato, Jeová era conivente a esta instituição.

A matança do gado com peste e granizo, o assassinato dos primogênitos – de modo que em todos os lares houve morte porque o rei recusou-se a deixar os hebreus partirem – certamente não foi algo moralmente correto: foi algo demoníaco. O autor deste livro considerava todo o povo do Egito – suas crianças, suas manadas e seus rebanhos – como propriedades do Faraó. Esse povo e esse gado foram mortos, não porque fizeram algo de errado, mas simplesmente com o objetivo de punir o rei. É possível extrairmos alguma lição moral desta história?

Todas as leis encontradas no Êxodo – incluindo os Dez Mandamentos –, que estão tão longe do que é realmente bom e sensato, estavam naquele tempo sendo impostas à força a todos os povos do mundo.

O assassinato é, e sempre foi, um crime, e sempre o será enquanto a maioria da população negar-se a ser assassinada.

A diligência sempre foi e sempre será a inimiga do latrocínio.

A natureza do homem é tal que ele admira aquele que diz a verdade e despreza o mentiroso. Entre todas as tribos, entre todos os povos, o “dizer a verdade” tem sido considerado uma virtude, e um juramento ou pronunciamento falsos, um vício.

O amor dos pais pelos filhos é natural, e este amor pode ser encontrado entre todos os animais vivem. Deste modo, o amor dos pais pelos filhos é natural – não foi e não pode ser criado por lei. O amor não surge do senso de dever e tampouco floresce curvado em obediência a comandos.

Assim, neste sentido, os homens e as mulheres não são virtuosos por causa de algum livro ou de alguma crença.

De todos os Dez Mandamentos, os que eram bons eram antigos, eram resultado da experiência. Os mandamentos originais de Jeová eram tolos.

A adoração “qualquer outro Deus” não poderia ter sido pior do que a adoração de Jeová, e nada poderia ser mais absurdo do que a santidade do Sabá.

Se os mandamentos concedidos fossem contra a escravidão e a poligamia, contra guerras de invasão e extermínio, contra a perseguição religiosa sob todas as formas, de modo que o mundo pudesse ser livre, de modo que a mente pudesse ser desenvolvida e o coração civilizado, então poderíamos, com propriedade, chamar tais mandamentos de um “guia moral”.

Antes de podermos dizer que os Dez Mandamentos constituem realmente um guia moral, devemos adicionar e subtrair alguns deles – devemos jogar alguns fora e escrever outros em seus lugares.

Os mandamentos que possuem alguma aplicação conhecida aqui, neste mundo, que tratam de compromissos humanos, são sábios; os outros não se fundamentam em fatos ou experiências.
Muitos dos regulamentos encontrados no Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio são bons. Entretanto, muitos são absurdos e cruéis.

As cerimônias de adoração são completamente insanas.

A maior parte das punições prescritas para violações de leis são irracionais e brutais. O fato é que o Pentateuco justifica praticamente todos os crimes, e chamá-lo de um guia moral é tão absurdo quanto dizer que ele é misericordioso ou verdadeiro.

Nenhuma moral natural pode ser encontrada em Josué ou em Juízes. Estes livros estão repletos de crimes – com massacres e assassinatos. Em boa parte, são como a história real dos índios Apache.

A estória de Rute não é particularmente moral.

Em Samuel I e II não há uma palavra calculada para desenvolver o cérebro ou a consciência.

Jeová matou setenta mil de judeus porque Davi fez um censo do povo. David, segundo o relato, era o único culpado, porém somente inocentes foram mortos.

Em Reis I e II não pode ser encontrada qualquer coisa de valor ético. Todos os reis que se recusaram a obedecer aos sacerdotes foram denunciados, e todos os vilões coroados que ajudaram os sacerdotes foram declarados como os favoritos de Jeová. Nestes livros não se pode encontrar uma única palavra em favor da liberdade.

Há alguns Salmos bons e alguns infames. A maioria dos Salmos é egoísta. Muitos deles são apelos passionais à vingança.

A história de Jó choca o coração de qualquer homem de boa índole. Neste livro há alguma poesia, algum sentimento e alguma filosofia, mas a história deste drama chamado Jó é desalmada ao mais alto grau. As crianças de Jó foram assassinadas devido a uma pequena aposta entre Deus e o Diabo. Posteriormente, tendo Jó permanecido firme, outras crianças foram colocadas no lugar das assassinadas. Todavia, nada foi feito pelas crianças que foram assassinadas.

O livro de Éster é completamente absurdo, e a única coisa boa nele é o fato de que o nome de Jeová não é mencionado.

Aprecio o Cântico dos Cânticos porque fala sobre o amor humano, e isso é algo que posso compreender. A meu ver, este livro é melhor que todos aqueles que o precedem e, de longe, é um guia moral superior.

Há alguns provérbios sábios e compassivos. Alguns são egoístas e outros são superficiais e triviais.

Gosto do livro de Eclesiastes porque lá podemos encontrar alguma sensatez, alguma poesia e alguma filosofia. Excetuando-se as interpolações, trata-se de um bom livro.

Obviamente, não há nada em Neemias ou Esdras para tornar o homem melhor; não há nada em Jeremias ou em Lamentações cujo objetivo é atenuar vícios, e somente poucas passagens de Isaías podem ser utilizadas em prol boas causas.

Em Ezequiel e Daniel encontramos somente delírios de insanos.

Em alguns dos profetas menores, aqui e acolá encontramos um bom verso, aqui e acolá um pensamento elevado.

Podemos, através de uma seleção de trechos de diferentes livros, obter uma crença excelente. Entretanto, através de uma seleção de trechos de outros livros, podemos obter uma péssima crença.

O problema é que o espírito do Velho Testamento – sua disposição, seu temperamento – é maldoso, egoísta e cruel. As coisas mais atrozes comandadas, recomendadas e aplaudidas.

As estórias contadas de José, de Eliseu, de Daniel e de Gideão – e de muitos outros – são hediondas, diabólicas.

Na sua íntegra, o Antigo Testamento não pode ser considerado um guia moral.

Jeová não foi um Deus moral. Ele possuía todos os vícios e carecia de todas as virtudes. Ele geralmente executava suas ameaças, mas nunca cumpriu fielmente uma promessa.

Ao mesmo tempo, devemos ter em mente que o Antigo Testamento é uma produção natural, que foi escrito por selvagens que estavam caminhando, lentamente, em direção à civilização. Devemos dar-lhes crédito pelas coisas nobres que disseram e devemos ser compreensivos o suficiente para desculpá-los por suas faltas, e mesmo pelos seus crimes.

Sei que muitos cristãos consideram o Velho Testamento como o “alicerce” e o Novo como a “superestrutura”. Por outro lado, muitos admitem que há falhas e erros no Antigo Testamento, mas insistem que o Novo Testamento é uma flor, um fruto perfeito.

Admito que há muitas coisas boas no Novo Testamento e, se retirarmos deste livro os dogmas da dor eterna, da vingança infinita, da expiação, do sacrifício humano, da necessidade de derramamento de sangue; se colocarmos de lado a doutrina da não-resistência – de amarmos os inimigos –, se colocarmos de lado a idéia de que a prosperidade é conseqüência da perversão, que a miséria é uma preparação para o Paraíso.
Enfim, se deixarmos isso tudo para trás e selecionarmos apenas as passagens sensatas e bondosas, que são aplicáveis à nossa conduta, então poderíamos construir um guia moral razoavelmente bom – estreito e limitado, mas moral.

Neste caso, evidentemente, muitas coisas importantes ficariam de fora. Não haveria qualquer coisa quanto aos direitos humanos, nada em favor da família, nenhuma palavra sobre a educação, nada em favor do espírito investigativo, do pensamento e da razão – mas, ainda assim, teríamos um guia moral razoável.

Por outro lado, se selecionarmos apenas as passagens tolas – as mais extremas –, então poder-se-ia construir uma doutrina capaz satisfazer um manicômio inteiro.

Se pegarmos as passagens cruéis, os versos que inculcam o ódio eterno, os versos que rastejam e sibilam como serpentes, então poder-se-ia construir um doutrina que chocaria até o coração de uma hiena.

Talvez nenhum livro contenha passagens melhores que as do Novo Testamento – mas certamente nenhum livro contém piores.

Sob o desabrochar da flor do amor encontra-se o aguilhão do ódio; nos lábios que beijam encontra-se o veneno da serpente.

A Bíblia não é um guia moral.

Qualquer homem que seguir fielmente todos os seus ensinamentos é um inimigo da sociedade – e provavelmente irá terminar seus dias numa prisão ou num manicômio.

Que é moralidade?

Neste mundo, precisamos de certas coisas. Possuímos muitos desejos. Somos expostos a muitos perigos. Precisamos de alimento, combustível, vestimentas e abrigo; além desses desejos, há o que poderíamos denominar nossa “fome mental”.

Somos seres condicionados e, por isso, nossa felicidade depende de condições. Há coisas que reduzem e há coisas que aumentam nosso bem-estar. Há certas coisas que o destroem e outras que o preservam.

A felicidade – também em suas formas mais elevadas – é, em última instância, a única coisa boa. Portanto, todas as coisas cujo objetivo é produzir ou assegurar a felicidade são boas, ou seja, morais. Tudo que destrói ou diminui o bem-estar é ruim, ou seja, imoral. Em suma, tudo que é bom é moral, tudo que é ruim é imoral.

Então o que é – ou poderia ser denominado – um guia moral? A resposta mais curta possível consiste de apenas uma palavra: inteligência.

Queremos a experiência da humanidade, a verdadeira história de nossa raça. Queremos a história do desenvolvimento intelectual, do fortalecimento da ética, da idéia de justiça, da consciência, da caridade, do altruísmo. Almejamos conhecer as estradas e os caminhos que foram percorridos pela mente humana.

Esses fatos em geral, o esboço dessas histórias, os resultados obtidos, as conclusões alcançadas, os princípios envolvidos – tudo isso, tomado em conjunto, consistiria no melhor guia moral concebível.

Não podemos nos apoiar nos assim chamados “livros inspirados” ou nas religiões do mundo. Estas religiões são fundamentadas no sobrenatural e, de acordo com elas, estamos obrigados a adorar e a obedecer algum ser ou seres sobrenaturais. Todas essas religiões são incompatíveis com a liberdade intelectual. São inimigas do pensamento, da investigação, da honestidade intelectual. Elas despojam do homem sua própria humanidade. Prometem recompensas eternas para a crença, para credulidade – para aquilo que denominam “fé”.

Essas religiões ensinam virtudes que escravizam. Transformam coisas inanimadas em coisas sagradas e falsidades em dogmas sacrossantos. Criam crimes artificiais: comer carne na sexta-feira, divertir-se aos sábados, comer nos dias de jejum, ser feliz na Quaresma, debater com um sacerdote, buscar evidências, rejeitar uma crença, expressar seu pensamento honestamente – todos esses atos são pecados, são crimes contra algum deus. Emitir sua opinião sincera sobre Jeová, Maomé ou Cristo é muito pior do que caluniar maliciosamente seu próximo. Questionar ou duvidar de milagres é muito pior do que rejeitar fatos conhecidos.

Somente os obedientes, os crédulos, os bajuladores, os ajoelhadores, os submissos, os que não questionam – os verdadeiros crentes –, são considerados morais, virtuosos. Não basta ser honesto, generoso e prestativo; não basta seguir as evidências, os fatos. Além disso, é necessário crer. Essas doutrinas são inimigas da moralidade, elas subvertem todas as concepções naturais de virtude.

Todos os “livros inspirados”, ensinando que os mandamentos sobrenaturais são corretos – corretos porque foram ordenados –, ensinando que aquilo que o sobrenatural proíbe é errado – errado porque foi proibido –, são absurdamente antifilosóficos.

E todos os “livros inspirados”, ensinando que somente aqueles que obedecem aos mandamentos sobrenaturais são – ou podem ser – verdadeiramente virtuosos, e que uma fé inquestionada será recompensada com a eterna bem-aventurança, são grosseiramente imorais.

Declaro novamente: a inteligência é o único guia moral.

Dúvidas Pascais

Filho – Papai, o que é Páscoa?
Pai – Ora, Páscoa é... bem... uma festa religiosa.
Filho – Igual o Natal?
Pai – Parecido. Só que no Natal comemora–se o nascimento de Jesus; na Páscoa, se não me engano, comemora–se sua ressurreição.
Filho – Ressurreição?
Pai – É, ressurreição. Marta, vem cá!
Mãe – Sim?
Pai – Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler meu jornal.
Mãe – Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
Filho – Mais ou menos. Mamãe, Jesus era um coelho?
Mãe – Que é isso filho? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse filho foi batizado! Jorge, esse filho não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele soltar uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
Filho – Mas Mamãe, o Papai do Céu não é Deus?
Mãe – É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
Filho – O Espírito Santo também é Deus?
Mãe – É sim.
Filho – E Minas Gerais?
Mãe – Sacrilégio!
Filho – É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
Mãe – Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudo certinho!
Filho – Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
Mãe – Eu sei lá! É uma tradição. É como o Papai Noel, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.
Filho – Coelho bota ovo?
Mãe – Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu ganho mais!
Filho – Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
Pai – Era, era melhor, ou então urubu.
Filho – Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, não é? Que dia que ele morreu?
Pai – Isso eu sei: na sexta-feira santa.
Filho – Que dia e que mês?
Pai – Hum... Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
Filho – Um dia depois.
Pai – Não, três dias.
Filho – Então morreu na quarta-feira.
Pai – Não, morreu na sexta-feira santa. Hum... ou terá sido na quarta-feira de cinzas ? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois ! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!
Filho – Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
Pai – É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
Filho – O Judas traiu Jesus no sábado?
Pai – Claro que não! Ele morreu na sexta, ora!
Filho – Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
Pai – É, boa pergunta. Filho, atende ao telefone pro papai. Se for um tal de Rogério, diga que eu saí.
Filho – Alô, quem fala?
Rogério – Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?
Filho – Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau.
Filho – Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
Pai – Cristo. Jesus Cristo.
Filho – Só?
Pai – Que eu saiba sim, por quê?
Filho – Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
Pai – Coitada!
Filho – Coitada de quem?
Pai – Da sua professora de catecismo!

Fonte: http://ateus.net/humor/duvidas_pascais.php

Comentário: Tive aulas de religião (católica) e nunca me explicaram isto. Só falaram que era uma verdade bíblica que deveria ser aceita, inconteste. Era um dos mistérios de Deus...

A escalada dos lucros dos bancos

Adriano Benayon

4 Março, 2008

Os lucros dos bancos continuam se elevando, a cada ano, e com velocidade aumentada. Começando em 1995, já se acumulam, em 2007, 468% de crescimento real, ou seja, o valor multiplicou-se por quase seis.

Nos oito anos de FHC a média foi 11% aa., perfazendo 130%. Nos dois primeiros anos de Lula, 14% aa. Em 2005, 21,5%. Em 2006, 19,7%. Em 2007, 30,6%, tomando por base os cinco bancos com maiores lucros. Essas taxas acumularam-se em 147% em apenas 5 anos, com média anual de 19,8%. Neste ano já saíram resultados de 31 bancos. Seu retorno sobre o patrimônio aumentou de 21,2% para 24,3%, e o lucro líquido atingiu R$ 34,4 bilhões, com 43,3% de crescimento real. Considerados somente aqueles cinco bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Unibanco e AMRO-Real), o percentual foi menor: 30,6%.
Esse panorama é inverso ao dos rendimentos do trabalho, cuja deterioração chama a atenção. Por exemplo: em 1998, um trabalhador assalariado em São Paulo, capital, ganhava, em média, R$ 1.626,00, a preços de hoje corrigidos pelo IPCA. Em 2008 essa remuneração caiu para R$ 1.202,00. Baixou, portanto, 35,3%, em termos reais, em 9 anos. Queda maior (36,9% em 5 anos) ocorreu de 1998 para 2003, quando o valor afundou para R$ 1.188,00. De lá ao presente, houve pífio aumento de 1,18% em 4 anos, i.e., menos da metade de 1% aa.

Os ganhos dos bancos têm sido propelidos por:
1) extorsivas taxas de juros aliadas à expansão do crédito;
2) receitas das tarifas de “serviços”. Estas, em 1995, cobriam 25% da folha de pagamento dos bancos. Atualmente esse percentual é de 125%, ou seja: as tarifas cobrem integralmente a folha e acrescentam ao lucro um valor correspondente a 25% dela.

Esse é um dos efeitos da desregulamentação instituída em 1995, por FHC, no contexto dos acordos com o FMI e do poder conferido ao Banco Central, sempre em mãos guiadas pela mão invisível dos banqueiros mundiais, permitindo tudo aos bancos, que ele deveria controlar, se estivéssemos num País em exercício da autodeterminação.

A mesma política faz manter no Brasil taxas de juros abusivas, pagas pelos clientes aos bancos, malgrado reduções, nos dois últimos anos, da taxa SELIC, aplicável a títulos da dívida pública interna.

Em 2007, alguns bancos obtiveram receitas extraordinárias com a venda de participações em empresas, entre elas, Bovespa e BM&F, por parte do Bradesco, Itaú e Unibanco.

Houve a alienação irresponsável da SERASA para o estrangeiro Experian Group, pela qual Itaú, Unibanco, Bradesco e Real-AMRO receberam, no total, cerca de R$ 2,32 bilhões. Em 2006 o Itaú teve o lucro diminuído em mais de R$ 2 bilhões, em função da compra de agências do Bank of Boston. Mas essas transações não são suficientes para explicar o salto de 2006 para 2007, mesmo porque os demais bancos as tiveram em proporção menor, e o lucro no conjunto foi maior.

Entre outras benesses providas pela legislação FHC/Consenso de Washington, está a de deduzir dos lucros os juros sobre o capital próprio. Com isso, abatem-se, nos balanços, os lucros líquidos tributáveis, sujeitos ao Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Portanto, os lucros reais são ainda maiores que os das cifras contidas. Em 2005, as despesas dos bancos com encargos tributários caíram em R$ 2,1 bilhões por meio desse favor fiscal.

No mesmo ano, os cerca de 200 bancos em operação no País pagaram R$ 7,5 bilhões de impostos. Os rendimentos do trabalho retidos na Fonte pelo IR foram taxados em R$ 30,75 bilhões, e arrecadaram-se mais: a) R$ 7,02 bilhões de pessoas físicas; b) R$ 47,2 bilhões de pessoas jurídicas.

Os bancos desfrutam, ainda, da alíquota de 15%, exclusiva, no IR. Há, ademais, isenção desse imposto nos dividendos pagos aos acionistas. Além disso, suas receitas por tarifas avolumam-se com a movimentação dos “investidores” estrangeiros nas operações com títulos da dívida pública. Essas e as remessas de lucros e dividendos ao exterior estão isentas do IR, pela Lei nº 9.249, de 26.12.2005 (governo Lula).

O Brasil mantém 25 tratados, para evitar a dupla tributação. Assinala Osiris Lopes Filho: “A regra básica nesses tratados é o tax credit, vale dizer, o imposto que seria incidente aqui é crédito no país do Primeiro Mundo …Desde tal lei, o Brasil abdica de tributar aqui, nas remessas de lucros e dividendos, em abjeta generosidade em favor dos países ricos … A arrecadação é realizada integralmente pelos Fiscos dos países recebedores das remessas. Nada é coletado no Brasil.”

A legislação facilita, ainda, aos bancos compensar, por meio de créditos tributários, prejuízos no exercício corrente ou em qualquer dos últimos 10 anos. Em 2007, a Caixa Econômica Federal apresentou lucro de R$ 2,51 bilhões, graças, em parte, a esses créditos, que compensaram perdas com títulos hipotecários no mercado norte-americano.

Fonte: Adriano Benayon é Doutor em Economia, professor da Universidade de Brasília (UnB). Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras.
Comentário: Realmente vivemos na República Federativa dos Bancos do Brasil. Para lembrar os esquecidos: os bancos foram os maiores financiadores das campanhas do Lula para Presidente. Quem vai ser o novo Presidente? Basta saber a quem os banqueiros financiam.

Um dedo para o Lula

O Lula deve estar feliz. Existe uma nova esperança para o seu dedo mindinho amputado quando ele era um operário semi-analfabeto numa indústria metalúrgica. Graças à perda do precioso dedinho, Lula saiu do trabalho de torneiro mecânico e se engajou nos sindicatos, onde foi tão atuante que acabou chegando à presidência da república. Agora vejam vocês… Tudo por causa de um dedo mindinho. Agora, graças a fabulosa invenção do dedo mindinho ciborgue, Lula poderá finalmente voltar ao seu trabalho original de torneiro mecânico e deixar a política.

O dedo biônico foi inventado por Dan Dirick, que era um inventor de máscaras, maquiagem e animatrônicos de criaturas para filmes de terror. Cada dedo incorpora um mecanismo que recebe os impulsos pela parte amputada e faz com que o sistema eletrônico mova pequenos micromotores, dando movimento ao dedinho. O dedo mindinho robótico não usa baterias. É caro. Mas isso o Lula pode pagar. Nem que seja com o famoso cartão de crédito do Palácio do Planalto. Aposto que se ele pedir, o Diogo Mainardi empresta pra ele os oito mil dólares para pagar o dedinho.
Desde que volte a ser torneiro mecânico.


PT: pensão como vítima (?) da ditadura ajudou

Por Reinaldo Azevedo
Quarta-feira, Julho 05, 2006

Viram só? Não falei? Acreditem em mim. Eu jamais minto em minhas análises. No máximo, erro, hehe. O PT atribuiu o salto no patrimônio oficial de Lula à poupança. Segundo o partido, ele guarda o dinheirinho que recebe na condição de perseguido político. O valor preciso é de R$ 4.294 brutos. Na Presidência, recebe R$ 8.885,48. No total, R$ 13.179,48. Digamos que os impostos comam 25% disso tudo, sobram líquidos R$ 9.894,61. Huuummm. Ele, de fato, não precisa gastar um tostão. Nem as férias do filho ele paga. A FAB — você, leitor! — faz isso por ele. Não precisa comprar roupa, comida ou remédio. Numa multiplicação simples, nos 42 meses de poder, indo para o 43º, daria para juntar R$ 415.153, 62. O escandaloso, entendam bem, não está exatamente em Lula ter dobrado o seu patrimônio, mas em pelo menos um dos motivos que colaboraram para tanto.
Comentário: Como médico recebo de um dos meus empregos a metade do "salário de perseguido político do Lula", mas trabalhando, é claro. Infelizmente não tenho cartão corporativo para ajudar nas despesas domésticas...

Lula e o patrimônio: a verdade é sua maior inimiga



Por Reinaldo Azevedo

Os fatos, sem qualquer juízo de valor, podem, às vezes, ser mais devastadores para certas reputações do que uma acusação, ainda que verdadeira, mas envolta numa casca de polêmica política. Assim é com Lula. Vejam o tamanho da lambança petista. Lula sabia ou não sabia? Bem, se sabia, coonestou; se não sabia, passa por idiota, o que é tão grave quanto. Afinal, imaginem um presidente dominado por uma camarilha. Ok, mas isso ainda é controverso, sempre se pode dizer que a oposição está manipulando a história etc. Já o patrimônio de Lula, de mais de R$ 800 mil — o que o coloca, sem dúvida, na elite brasileira —, contribui para quebrar aquela magia do pobre operário brasileiro. Ninguém precisa fazer juízo de valor a respeito. Reparem: não se está dizendo que Lula está proibido de ter esses bens. Mas é, sim, infelizmente, absolutamente inusual que um “operário” o tenha. Quase US$ 400 mil? Nem em país rico. E quem se diz operário, metalúrgico, homem do povo, “filho de mãe que nasceu analfabeta (!)”, é ele de si mesmo, não seus opositores. É claro que o que importa é o compromisso do sujeito com as lutas etc e tal... Essas baboseiras a que a esquerda recorre quando precisa justificar a diferença entre intenção e gesto. O fato é que a mística do “um de nós chegou lá” se quebra. Porque Lula, simplesmente, já não é mais um deles. Não chega a ser, assim, um Antônio Ermírio, mas perdeu toda a legitimidade da vida severina. E, de fato, os petistas devem estar surpresos: Lula ser mais rico do que Alckmin é um capricho do destino. E, é o caso de lembrar, é bom deixar a família fora dessa história. Já pensaram se o patrimônio dos filhos entrar na contabilidade? Lula não e mais um brasileiro igualzinho à maioria. Ele já tem o insopitável cacoete aburguesado. Se a oposição for competente, isso pode render muito bem. Ninguém precisa mentir ou exagerar sobre Lula. Basta dizer a verdade.

Comentário: como membro da "zelite deste país", médico há 25 anos não amealhei este patrimônio, apesar de ter estudado 25 anos de minha vida, ter frequentado os melhores colégios de São Paulo, cursado a três melhores Universidades Públicas do Estado de São Paulo (USP, UNIFESP, UNICAMP), e continuar trabalhando em três empregos.
Deveria ter seguido a carreira de sindicalista e depois, de político profissional. Meus filhos estariam em melhor situação financeira e poderiam usar a influência política do papai para conseguirem benesses financeiras das empresas públicas. Poderia receber também diversas aposentadorias (por invalidez de um dedo, perseguido político de umas horas, deputado por um mandado inútil, etc...).

segunda-feira, 21 de abril de 2008